“Toda juventude escreve nas páginas do seu tempo, os momentos de sua posteridade.” 

        No Domingo, dia 24 de junho de 1958, o Brasil disputava a final da copa na Suécia. O jogo foi transmitido por rádio às 10 hs da manhã no Brasil e neste momento os times de futebol de salão da Cavalhada também jogavam sua partida final pelo campeonato juvenil que eles mesmos promoviam e que era apreciado pelos aficionados deste esporte e pela platéia de admiradores. A Praça da Cavalhada era o Olimpo destes jovens atletas que disputavam na quadra seus dribles e gols e ufanavam seus times como fanáticos pelo futebol, a melhor diversão esportiva que podiam ter em suas vidas, mesmo sem autorização dos pais que consideravam o esperte uma “pratica de malandros”. Muitos ousavam jogar futebol escondido para não apanharem em casa. Nesta bela manhã ensolarada e com os alto-falantes ligados, a praça estava apinhada de gente que queria ver o término do campeonato de futebol de salão e ouvir a transmissão do final da copa. A partida foi iniciada no mesmo tempo que a transmissão da Suécia e enquanto corriam e driblavam, os jogadores iam ouvindo os lances da seleção e a cada gol havia uma pequena interrupção para a comemoração e logo voltavam à contenda. O time da foto sagrou-se campeão jogando contra Luiz Ticha, Tonho de Cotônio, Lucas Canarinho, Gilson Marolina e outros que depois foram comemorar a vitória do Brasil tomando groselha com pão doce no bar do Coquinho debaixo do Parque Hotel e rolha de amendoim na venda de José Olímpio no Macau do Meio.

            No ano dourado de 1958: o Brasil sagrava campeão da Copa do Mundo, JK reorganizava a vida nacional com suas metas administrativas no slogan de “cinqüenta anos em cinco” e o Sargento Pimenta infernizava a vida dos atiradores Romeu, Rafael, Vitinho, Pirasma, Pierino e outros rebeldes cadetes do TG 04073. Diamantina era simples e fantástica. Passados 40 anos, Pixico e José Luiz Rocha me interpelaram sobre a história da Quadra da Cavalhada que estava soterrada: “Você precisa escrever sobre a Quadra. É um absurdo ela estar enterrada. Muitos momentos de nossas vidas estão com ela.” Depois desta intimação, pois também fui parte nesta história nos meus tempos de Cavalhada com Cadim, Ricardo, João Branco, Noé, Hugo, Binha e Marconi nos anos 70, escrevi uma bela matéria sobre a quadra, questionei sobre o fato de estar soterrada e publiquei a clássica foto acima no jornal Gazeta Tejucana e Portal do Vale. A coisa pegou e hoje a quadra ressurge imponente e bela como era antes, pela administração municipal do prefeito Gustavo Botelho. Os reclames de Pixico, Zé Luiz, o meu e acredito, de todos que jogaram com seus tênis rotos, meias rasgadas e um sorriso de alegria, foram ouvidos. Mas o mais importante é que a história foi preservada e todos que um  dia ousaram ser atletas na Quadra da Cavalhada podem hoje sentar em suas arquibancadas e se orgulharem de seus feitos e relembrar com saudade dos tempos em que um simples Domingo tinha um valor maior em nossas vidas e eternizaria em nossos corações os momentos mais belos que vivemos nesta quadra e na grandeza de nossa juventude.

William Spangler